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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

PARÁBOLA DO MAU ADMINISTRADOR EM FORMA DE CATECISMO

TUCK - Caso eu comecasse a venerar Maria.... mudaria alguma coisa em mim ???? Em minha Fé Cristã ????? no Cristianismo como um todo ?????




Venerar algum santo nada muda na vida da pessoa se não começamos a imitá-lo em suas virtudes. A verdade é esta, como dizia um garotinho: "Se este e aquele foi santo, por que também não eu?". (São Domingos Sávio).

Os santos não podem ser ignorados, desprezados e mesmo hostilizados, pois são exemplos a serem imitados.

Contra aqueles que ridicularizam nossa devoção aos santos que já habitam os tabernáculos eternos;

contra aqueles que que, contrariando os ensinos de Jesus, dizendo que os santos estão mortos, inconscientes, adormecidos;

contra aqueles que, refugando as revelações do Evangelho de N. S. J. Cristo, vivem afirmando que os santos nada podem, nada fazem, que estão impedidos de reinar e julgar;

contra aqueles que não os vê como amigos de Deus, mas como  seus concorrentes, etc.,
Afirma o Senhor Jesus:
OS TABERNÁCULOS ETERNOS

"Eu vos digo: fazei-vos amigos com a riqueza injusta, para que, no dia em que ela vos faltar, eles vos recebam nos tabernáculos eternos." (Lc 16,9) 




SOBRE A PASSAGEM EM LC 16,9:


"Eu vos digo: fazei-vos amigos com a riqueza injusta, para que, no dia em que ela vos faltar, eles vos recebam nos tabernáculos eternos."


PERGUNTA: - Que nos recomenda o Senhor nesta passagem? 

RESPOSTA: - Recomenda-nos que TENHAMOS AMIZADE com os moradores dos Tabernáculos eternos;

- E o que são esses Tabernáculos Eternos?

- Se são eternos não se referem a nenhuma obra humana feita aqui na terra. Trata-se do céu, do lugar onde se pode gozar da visão beatífica de Deus, onde reina plena comunhão entre Deus e seus santos - anjos e homens.

- Que quer dizer "no dia em que ela, a riqueza injusta, vos faltar"?

- Será o dia de nossa morte, quando seremos chamados a prestar conta de nossa administração aqui na terra junto ao justo juiz.

- Mas o que significa "riqueza injusta"?

A RIQUEZA INJUSTA
- Por riqueza injusta se entendem todas as coisas de que dispomos nesta vida, as quais não nos pertencem, pois delas somente Deus é o legítimo proprietário: são os talentos a nós confiados, todos os bens materiais, culturais e espirituais que deveríamos utilizar não em nosso proveito, mas em proveito do próximo. 

- Pela parábola se nota que tais "amigos" eram devedores de patrão deste administrador. O que isso significa?

- Significa que tendo sido aliviadas suas dívidas eles puderam estar quites com Deus e, por isso, pouco depois, já estavam na posse dos bens eternos. 

- O que significam aqueles descontos, da parte do administrador, com relação às  dívidas para com o patrão? 

- Foram sufrágios mediante orações e sacrifícios a seu favor. Então eles, sem nada dever à justiça divina, e, tendo obtido a santidade, sem a qual, ninguém pode ver o Senhor (Hb 12,14), puderam subir às moradas eternas. Eis aqui o purgatório, do qual, os hereges tanto se esforçam em negar!

CONSIDERAÇÕES

Que legal, né?! Os santos nos podem ajudar, valendo-nos, no momento de que mais temos necessidade!!! Eles têm o poder de nos introduzir no Tabernáculos Eternos!

Por isso, muito nos vale a devoção aos santos, mormente à poderosíssima Mãe de N. Senhor (Lc 1,43).

No Reino de Deus, REINAR É SERVIR  (Mt 20,26). Os santos, como todos os anjos, estão a serviço de Deus agindo em nosso favor.

Devemos ser seus amigos, ou será aconselhável ser-lhes indiferentes, esquecê-los , ou até hostilizá-los?

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

SUMA TEOLÓGICA EM FORMA DE CATECISMO

A SUMA TEOLÓGICA 
DE SANTO TOMÁS DE AQUINO  EM FORMA DE CATECISMO
CARTA DE S.S. BENTO XV AO AUTOR
Carlos Nougué
Querido Filho: Saúde e Benção Apostólica. Os numerosos quão expressivos e extraordinários elogios tributados pela Santa Sé a Santo Tomás de Aquino, não permitem mais a qualquer católico, por em dúvida que Deus o enviou para que a Sua Igreja tivesse um doutor, a quem especialmente seguisse em todos os tempos. Útil e oportuno parecia que a doutrina de tão preclaro varão não se limitasse simplesmente a ser patrimônio dos eclesiásticos, mas que se estendesse a todos os que se dedicam a assíduos estudos sobre religião, e também ao mesmo povo, visto que, por lei natural, quanto mais alguém se chega ao fogo, mais viva claridade o ilumina. Certamente, és mui digno de louvor, porque, havendo-te proposto escrever um comentário literal, em francês, à douta obra do Doutor Angélico, a Suma Teológica (de como o êxito correspondeu aos seus fins, o demonstram os volumes publicados até esta data) - agora a divulgaste explicada em forma de catecismo. Deste modo, soubeste acomodar ao alcance de sábios e ignorantes os tesouros daquele gênio excelso, condensando em formas claras, breves e concisas, o que ele com maior amplitude e abundância escreveu. Por Nossa parte te felicitamos por teus prolongados estudos e trabalhos, nos quais te mostras excelente conhecedor da ciência Tomista, e sinceramente desejamos que consigas o fim que, ao empreendê-los, te inspirou o teu amor à Santa Igreja: - que sirvam a muitos para conhecer a fundo a doutrina cristã. E em prova dos divinos favores e testemunho de Nossa especial benevolência, com muito amor te damos, a ti, querido filho e aos teus discípulos, a benção apostólica.
Dada em S. Pedro de Roma aos 5 de Fevereiro de 1919, no ano quinto de Nosso Pontificado
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PRIMEIRA PARTE
DEUS
Criador e Soberano Senhor de todas as coisas
I
DA EXISTÊNCIA DE DEUS
Há Deus?
Sim, Senhor (II).
Por que o dizeis?
Porque, se não o houvesse, não poderia existir coisa alguma. (II, 3).
Como o demonstrais?
Mediante o seguinte raciocínio: O que necessariamente há de receber de Deus o ser não existiria, se Deus não existisse. Assim é que coisa alguma pode existir, exceto o mesmo Deus, se não recebe Dele a existência. Logo, se não houvesse Deus, não poderia existir coisa alguma.
E como demonstrais que nenhuma coisa pode existir, exceto o mesmo Deus, se não recebe Dele a existência?
Desenvolvendo o mesmo raciocínio: O que existe e pode não existir, depende, em última análise, de alguma coisa que existe necessariamente, e a esta alguma coisa chamamos Deus. Assim é que nada do que existe, exceto Deus, existe por si mesmo, isto é, em virtude de forçosa exigência de sua natureza. Logo, há de, necessariamente, receber de Deus a existência.
Por que dizeis que nada do que existe, exceto Deus, existe por si mesmo
Porque nenhum ser que necessita de alguma coisa, existe em virtude de exigências de sua natureza. Assim é que todos os seres, exceto Deus, necessitam de alguma coisa. Logo nenhum pode existir por si mesmo.
Por que os seres que necessitam de alguma coisa não podem existir por si mesmos?
Porque, o que existe por si mesmo, não depende, nem pode depender de coisa alguma, nem de pessoa alguma; e o que forçosamente necessita de alguma coisa ou pessoa, dessa coisa ou pessoa depende.
E por que o ser que existe por si mesmo não depende, nem pode depender de qualquer pessoa ou coisa?
Porque no fato de existir per se já vai incluída a posse atual de todas as perfeições, por virtude de sua natureza e com absoluta independência: Não pode, portanto, receber coisa alguma de fora.
Portanto, a existência dos seres contingentes é prova evidente da existência de Deus?
Assim é.
Que fazem, por conseqüência, os que o negam?
Sustentam a verdade da seguinte proposição: O ser que tudo necessita, de nada tem necessidade.
Isto, porém, é contraditório.
Evidentemente: Como é possível negar a existência de Deus sem se contradizer?
É, portanto, uma loucura negar a existência de Deus?
De verdadeira loucura se pode qualificar.

II
NATUREZA E ATRIBUTOS DE DEUS

Continue a pesquisa em
(SEMINÁRIO PERMANENTE DE ESTUDOS SOCIOPOLÍTICOS SANTO TOMÁS DE AQUINO)

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

EUSÉBIO - PECADO ORIGINAL MANCHA ATÉ A MÃE DO REDEENTOR

A MENTIRA 
"Eusébio (260 ca. - 340) era contra a imaculada conceição de Maria, com efeito, disse: 'Ninguém está isento da mancha do pecado original, nem a mãe do Redentor do mundo. Só Jesus está isento da lei do pecado, apesar de ter nascido de uma mulher sujeita ao pecado' (Eusébio, Emiss. in Orat. II de Nativ.; citado por Teofilo Gay in op. cit., pag. 129)".

Índice das Mentiras
ONDE SE ENCONTRA
Nossa Resposta: 
Mais uma invenção protestante, como é do estilo deles...
Não se conhece obra alguma de Eusébio de Cesaréia com esse nome.
Veja a relação das 45 obras de Eusébio relacionadas por Harnack, "Altchrist. Lit.": 1. A Vida de Pânfilo.
2. Um antigo Martirológio.
3. Dos Mártires da Palestina 
4. A Crônica.
5. História Eclesiástica [10 livros].
6. Vida de Constantino (4 livros).
7. Contra Hierácles.
8. Contra Porfírio.
9. Preparatio Evangelica (15 livros).
10. Demonstratio Evangelica.
11. Preparatio Ecclesiastica.
12. Demonstratio Ecclesiastica.
13. Objeções e Defesas (2 livros).
14. A Teofania.
15. Da Genealogia dos Antigos.
16. 15 cópias da Bíblia (Eusébio narra na "Vida de Constantino" (4,36,37) como foi comissionado pelo imperador a preparar 15 cópias da Bíblia para uso das igrejas de Constantinopla).
17. Sessões e Cânones.
18. Uma edição da Septuaginta 19. Um comentário bíblico formado por: a) Interpretação etimológica dos vocábulos hebraicos nas Escrituras.
b) Cronografia dos Patriarcas da Judéia.
c) Uma planta de Jerusalém e do Templo.
d) Informações sobre os nomes e lugares nas Escrituras.
20. Nomenclatura sobre os Nomes dos Livros dos Profetas.
21. Comentários sobre os Salmos.
22. Comentário sobre Isaías.
23 a 28. Comentários sobre os diversos livros das Escrituras (perdidos) 29. Comentário sobre São Lucas (perdido).
30. Comentário sobre 1Coríntios (perdido).
31. Comentário sobre Hebreus (perdido).
32. Das Discrepâncias nos Evangelhos (2 livros).
33. Introdução à Teologia (perdido).
34. Apologia de Orígenes.
35. Contra Marcelo, bispo de Ancira.
36. Da Teologia da Igreja (restam apenas fragmentos).
37. Sobre a Festa da Páscoa (perdido).
38. Contra os Maniqueus (perdido).
39. Dedicação à Igreja de Tiro.
40. Carta a Constantino.
41. Da Sepultura do Salvador.
42. De Laudibus Constantini.
43. Oração dos Mártires.
44. Três Cartas: a) a Alexandre de Alexandria.
b) a Eufrásio.
c) à Imperatriz Constância.
45. À Igreja de Cesaréia.
500 ANOS DE MENTIRAS PROTESTANTES, AGORA BASTA !!! 

Fonte: Site veritatis Índice das Mentiras

sábado, 17 de novembro de 2012

A OBRA DE CRISTO E A OBRA DE LUTERO



Azenilto G. Brito: - Eu não falei sobre adventismo DIRETAMENTE, reparou? Eu falei DIRETAMENTE sobre Lutero, e como os católicos interpretam errado a sua figura e o seu papel à frente do movimento que INICIOU (não ficou 'prontinho', mas foi um BOM INÍCIO, com questões fundamentais levantadas, como o tema fundamental da justificação pela fé), as suas virtudes e deficiências.














O "BOM INÍCIO", segundo o Azenilto, encetado por Lutero é uma obra que tem a característica admirável de se aperfeiçoar com o correr do tempo. Por ela o reformador demonstra, segundo a lógica protestante, ter uma genialidade incomparavelmente superior à de Cristo



A Obra de Lutero marcha inexoravelmente para a perfeição enquanto que a de Cristo,  percorrendo caminho inverso, arruína-se já a partir de 2.º século desabando-se por completo, quando finalmente os cristãos ganham a liberdade e quando até o poder perseguidor se torna cristão. 

Lutero, o mentiroso, glutão, bêbado, impudico, assassino e suicida é, pois, muito mais sábio e mais poderoso que Cristo!!!!!!!

Não deveria ser o contrário?

Por que o Espírito da Verdade teria abandonado a herança conquistada com o sangue de Jesus para assumir a Igreja edificada por um blasfemo? Acreditam os rebelados protestantes que Deus é efetivamente estúpido? Pois leiam o que escrevia o pai de todos eles:

"Certamente Deus é grande e poderoso, e bom e misericordioso, e tudo quanto se pode imaginar nesse sentido, MAS É ESTÚPIDO. (Id. Propos de Tables - no. 963, ed. De Weimar, I, 487) 

"Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão". (São João 16,13)


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O REI SANTO QUE JAMAIS PERDEU UMA BATALHA


São Fernando de Castela: O santo rei vitorioso

Jamais derrotado em batalha, amado pelos seus súditos e até pelos adversários, São Fernando considerava o exercício da realeza como uma privilegiada oportunidade de glorificar a Deus, a Quem haveria de prestar severas contas no dia do Juízo.

As inspiradas páginas do Antigo Testamento exaltam a figura de seus monarcas, surgidos na história do povo eleito a partir da extinção do regime teocrático. Finda a era dos juízes com a rejeição de Samuel por parte do povo, Saul é ungido rei e, em seguida a este, Davi e Salomão. Sem dúvida, a estirpe de Jessé goza, até nossos dias, de uma aura não desmentida pelo valor de seus mais notáveis expoentes, pois o rei-profeta, seu sábio filho e tantos outros revelaram qualidades paradigmáticas, dignas de suscitar a admiração dos homens de todas as épocas.
San Fernando de Castela.jpg
"São Fernando de Castela" - Catedral de
Sevilha (Espanha)
Entretanto, o advento de Nosso Senhor Jesus Cristo e a subsequente consolidação da Cristandade trouxeram também novas dinastias, com seus respectivos soberanos, nobres e fidalgos. Tal como os governantes dos antigos tempos, muitos deles prevaricaram. Contudo, outros foram tão íntegros na fé e no exercício do direito, que não se mostram menos grandiosos se comparados com aqueles de outrora. É justo mencionarmos, junto aos nomes dos reis de Israel, os que subiram ao trono sob as bênçãos da Santa Igreja, e em cuja vida não encontramos nódoas, infidelidades ou ambições, mas sim o brilho fulgurante de uma acrisolada santidade.
São Fernando III, rei de Castela e Leão, conta-se entre os que hoje veneramos nos altares e admiramos na História com um deslumbramento semelhante ao despertado pelos antepassados do Messias. Ao conhecermos os feitos por ele empreendidos, sentimo-nos inclinados a exclamar como a rainha de Sabá: "Tua sabedoria e tua opulência são muito maiores do que a fama que havia chegado até mim" (I Rs 10, 7).
Infância marcada pela figura da mãe
Acompanhando o luminoso despontar do século XIII, que se abria carregado de promessas para o povo cristão, Fernando veio a este mundo numa data que os pergaminhos da época não lograram registrar. As hipóteses dos estudiosos oscilam entre os anos de 1198 a 1202, sem que por meio delas tenham chegado a uma conclusão absoluta. Já uma sólida tradição situa o local do nascimento como tendo sido junto a um cerro no trajeto entre Zamora e Salamanca, em meio a uma viagem empreendida por seus pais, razão pela qual o pequeno príncipe foi chamado carinhosamente de "o Montanhês".
O que sabemos com toda certeza é haver sido marcado pelo selo do infortúnio o casamento real do qual nasceu São Fernando, pois seus pais, Afonso IX, de Leão, e Berenguela, de Castela, tiveram as núpcias anuladas pelo Papa Inocêncio III, por serem parentes próximos em grau proibido, segundo a legislação eclesiástica da época.
Assim, no ano de 1203, separaram-se os consortes e voltaram cada qual para seus domínios, tendo Dona Berenguela levado consigo Fernando, o filho herdeiro, e os outros três infantes - Constança, Afonso e Berenguela, pois a pequena Leonor falecera no ano anterior -, a fim de educá-los na corte de seu pai, Afonso VIII de Castela. Certamente pressentia a rainha mãe, dama de grandes dotes naturais e não menores virtudes, a decisiva responsabilidade depositada pela Providência em suas mãos naquela triste circunstância: seria ela a formadora de um varão predestinado, o qual não teria sido quem foi sem o seu magnífico exemplo de vida.
Fernando crescia sedento das coisas de Deus, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, que do mais alto dos Céus governa todo o orbe, e a respeito de Quem sua mãe contava belíssimas histórias, incitando-o a amar com ternura e a temer com humildade o Soberano da criação. Este Senhor, por amor ao gênero humano e desejo de redimi-lo, aceitara ser condenado à morte, coroado de espinhos e recebera como cetro uma cana, e era apresentado por Berenguela a Fernando como o arquétipo dos reis, divino modelo de justiça para um bom governante.
Suas admoestações não foram vãs, pois "as boas disposições do santo menino foram como a terra fértil do Evangelho, em que caiu a boa semente dos ensinamentos, exortações e exemplos da egrégia Dona Berenguela, destinada, assim como sua irmã Dona Branca na França, a dar à Espanha um santo rei".
Dona Berenguela_.jpg
Coube a Dona Berenguela a
formação de um varão predestinado

"Dona Berenguela de Leão e Castela",
por Alfonso de la Grana, Parque do
Retiro, Madri
Soberano de Castela e Leão
A vida de corte em Castela transcorreu serena durante a infância de Fernando, que progredia na piedade, nas ciências e nas armas com uma desenvoltura propriamente régia, denotando pela perfeição dos atos exteriores a grandeza de seu coração. Sonhava em poder um dia construir belas igrejas à sua "Virgem Santa Maria" - realizando o sonho, de fato - e dispensava generosas esmolas aos pobres.
Passou cerca de um ano com seu pai em Leão, tendo regressado a Castela com a alma fortalecida pelo duro combate que a integridade na prática da virtude exigiu dele nesse período. De regresso ao território materno, Dona Berenguela preparou- lhe uma surpresa: ela tencionava proclamá-lo rei, abdicando à coroa que lhe cabia por herança após o falecimento do pai.
Procedeu-se, pois, à coroação do santo no ano de 1217, numa memorável cerimônia em Valladolid, acompanhada pela entusiástica adesão do clero, nobreza e povo do reino, os quais se sentiam encorajados à prática do bem pela figura encantadora do jovem monarca, cuja simples presença parecia atrair as bênçãos do céu e a paz para o reino. Bons presságios trazia aquele regente, no frescor da juventude e, ao mesmo tempo, na maturidade do espírito.
A missão da realeza - sempre considerada por ele como uma dádiva recebida de Deus e uma privilegiada oportunidade para glorificá-Lo, da qual prestaria severas contas no dia do Juízo - iniciou-se com dificuldades próprias a desanimar os espíritos pouco resolutos. Decidido a enfrentá-las até as últimas consequências, entregou- se à sua vocação com tanto ardor como o mais fervoroso dos frades num convento, e começou a desmelindrar os espinhosos assuntos de Estado, conforme ditava o dever.
Eis como uma das suas biógrafas descreve o prêmio dado por Deus aos seus esforços: "O rei Fernando, em seu incessante percurso pelo reino administrando justiça, cada vez ouvia menos querelas e mais bênçãos. Via sua Castela estancada do sangue das feridas feitas por tantas guerras, conflitos e alvoroços, forte e valente, desejando lançar-se de novo no rumo que Deus, árbitro supremo da História, havia lhe traçado".2
Falecido seu pai em 1230, obteve também a coroa de Leão, através de tortuoso caminho, envolvendo a renúncia ao trono por parte das infantas Sancha e Dulce, filhas do primeiro casamento de Afonso IX. Resolvida a questão da sucessão, graças ao auxílio divino e ao tino diplomático de Dona Berenguela, foi coroado rei leonês passados 13 anos da primeira aclamação, unindo de maneira definitiva ambos os Estados.
"Dominus adjutor meus"
Ao escolher o lema de seu escudo real, a preferência de Fernando recaiu sobre um trecho do Salmo 28: "Dominus adjutor meus" - "O Senhor é a minha força", frase por meio da qual traduziu seu ideal de vida. Um profundo senso do divino animava o soberano, o qual deu-lhe, desde cedo, a convicção de que, sem a ajuda do Altíssimo, a sua mão não empunharia o cetro com a devida firmeza, nem conduziria o povo em conformidade com a sua vontade.
Impulsionado por uma cega - no entanto, paradoxalmente, quão lúcida! - confiança em Nosso Senhor, e por um amor incondicional a Ele, era considerado por todos como o melhor cristão do reino, tanto por sua fidelidade no cumprimento dos preceitos, como pela largueza de horizontes com que compreendia e praticava o Evangelho.
Reservava para a oração longas horas do dia. E quando elas não bastavam a seus anseios, avançava recolhido madrugada adentro, descansando apenas em colóquios com o seu "Conselheiro", como chamava à relíquia do Santo Rosto de Cristo, hoje venerada na catedral de Jaén. Os membros da corte insistiram com ele, certa vez, para descansar mais, porém o santo teria respondido: "Se eu não velasse, como poderíeis vós dormir tranquilos?".
Uma discreta suspeita, acompanhada de um burburinho que corria de boca a ouvido no reino, difundia o comentário de que o Senhor do véu falava com São Fernando, revelando-lhe mistérios do tempo e da eternidade. Ninguém se aventurava a perguntar detalhes a tal respeito. Não obstante, os fatos pareciam comprovar a pia desconfiança, pois os planos do rei, audaciosos, inusitados e até humanamente temerários, cumpriam-se com invariável êxito, parecendo sobrepujar os mais sagazes cálculos e se identificar com a vontade divina.
Jamais perdeu uma batalha
São Fernando viveu em plena Reconquista espanhola, numa época em que guiar os exércitos para a guerra era uma das principais obrigações dos reis, para a qual eram preparados desde a infância.
Tal situação fez dele um homem de armas. Suas campanhas militares iniciaram-se em 1224 e, a partir de 1231, continuaram sem interrupções até o momento da sua morte. Foram mais de 20 anos de esforço bélico durante o qual as hostes castelhanas recuperaram, entre outras, as cidades de Córdoba, Jaén, Sevilha e Múrcia.
As corajosas conquistas do Rei Santo ainda hoje infundem respeito nos maiores estrategistas, pois ele jamais perdeu uma batalha, por maiores que fossem as desproporções numéricas e de forças, fato que levou Inocêncio IV a chamá-lo de "campeão invicto de Jesus Cristo".
Usando do seu poder a serviço do bem
Vendo seu poderio político e militar avantajar-se a cada dia, São Fernando teve virtude para não envaidecer-se por isso, tão certo estava de tudo lhe vir de Deus e a Ele pertencer. Dedicou-se a administrar sabiamente seus bens, dando a cada um o que era seu, e a Deus mais do que a todos.
Nesse intuito, beneficiou com largueza as obras espirituais e materiais da Igreja, lançando os fundamentos das catedrais de Toledo e Burgos, contadas entre as maiores joias góticas erigidas em solo espanhol. Ambas estão dedicadas a Nossa Senhora, a quem consaSao Fernando Castela_altar de Sevilha.jpggrava indescritível afeto.
O povo, vendo-se amparado em suas necessidades de maneira tão extraordinária pelo rei, tinha por ele um entusiasmado e filial devotamento. Narra o historiador Weiss que "ele próprio visitava seus estados, ouvia os pleitos e os sentenciava [...]. Em seu longo reinado favoreceu sempre ao pobre, contra as injustas pretensões dos ricos, e este ponto estava tão marcado em sua consciência, que chegou a ter em seu palácio de Sevilha uma pequena grade nas salas de audiência para ver bem se os juízes atuavam com retidão".3
Mesmo seus inimigos aprenderam a admirá-lo, até o ponto de príncipes e reis abraçarem pelo seu exemplo a verdadeira Fé. Foi o caso do rei valenciano Abu Zayd, que recebeu o Batismo alguns anos depois do encontro com São Fernando. "Começou amando o cristão e terminou amando a Cristo",4 comenta espirituosamente uma das autoras consultadas.
O povo encheu-se de respeito por ele
Na hora de sua morte, ocorrida em Sevilha no dia 30 de maio de 1252, ele fechou sereno os olhos para este mundo, pronto para encontrar-se com seu Senhor, após ter feito render os talentos d'Ele recebidos. De fato, afirma um célebre historiador ibérico, "nenhum príncipe espanhol, desde o oitavo até o décimo terceiro século, tinha recolhido tão rica herança como a legada por São Fernando a seu filho primogênito Afonso".
Na catedral sevilhana, sob o maternal olhar da padroeira da cidade, a Virgem dos Reis, está conservado seu corpo, com uma placa onde se lê em espanhol antigo o seguinte epitáfio: "Aqui jaz o muito honrado Rei Dom Fernando, senhor de Castela e de Toledo, de Leão, de Galícia, de Sevilha, de Córdoba, de Múrcia e de Jaén, o que conquistou toda a Espanha, o mais leal, o mais verdadeiro, o mais franco, o mais esforçado, o mais garboso, o mais ilustre, o mais sofrido, o mais humilde, o que mais temeu a Deus, o que mais Lhe prestava serviço, o que abateu e destruiu todos os seus inimigos, o que elevou e honrou todos os seus amigos, e conquistou a cidade de Sevilha, capital de toda a Espanha".
A nobreza de sua alma tornou-o merecedor de tais elogios, porque São Fernando é "um desses modelos humanos que conjugam em alto grau a piedade, a prudência e o heroísmo; um dos enxertos mais felizes, por assim dizer, dos dons e virtudes sobrenaturais nos dons e virtudes humanos". Embora seus súditos tenham-no celebrado em vida com justa veneração, o transcurso do tempo foi delineando sua estatura como exemplo de virtudes, razão pela qual o povo cristão de todas as épocas "encheu-se de respeito por ele, pois via-se que o inspirava a sabedoria divina para fazer justiça" (I Rs 3, 28). (Revista Arautos do Evangelho, Maio/2012, n. 125, p. 34 à 37)