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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Santa Bernadette: a santa que achava pertencer à tropa de elite do Papado




Por vezes, as pessoas se perguntam se a militância católica, até de armas na mão quando a Lei de Deus e dos homens o exige, não é contrária às doçuras da santidade.

Numerosos santos nos deram o testemunho positivo com seus feitos heroicos e seus ensinamentos. Eis mais um. O de Santa Bernadette Soubirous, a vidente de Lourdes.
A seguinte carta foi escrita por Santa Bernadette no convento Saint Gildard de Nevers, em 17 de dezembro de 1876.
Naqueles anos brilharam pelo seu heroismo os zuavos pontifícios, muitos dos quais morreram em combate defendendo o reino do Papa.
A eles se refere Santa Bernadette quando diz “há já alguns anos que eu me constituí pequeno zuavo”. Seu coração estava junto com aqueles bravos soldados que davam sua vida pela Igreja no campo de batalha.
Para os inimigos da Igreja, Santa Bernadette tem essa frase de conteúdo profético que faz pensar em La Salette e Fátima: Nossa Senhora “se dignará colocar ainda mais uma vez Seu pé sobre a cabeça da serpente maldita, e dar assim um termo às cruéis provações da Santa Igreja e às dores de seu augusto e Bem-Amado Pontífice”.
Eis a carta:
Santíssimo Padre, eu jamais teria ousado tomar a caneta para escrever a Vossa Santidade, eu, pobre Irmãzinha, se nosso digno bispo, Mons. de Ladoue, não me tivesse encorajado. (…)
Eu temi, de início, ser demasiado indiscreta; depois me veio ao pensamento que Nosso Senhor ama de ser importunado, tanto pelos pequenos quanto pelos grandes, pelo pobre e pelo rico, e que Ele se dá a cada um de nós sem distinção.
Esse pensamento me deu coragem e, portanto, não tenho mais medo. Aproximo-me de Vós, Santíssimo Padre, como uma criancinha pobre até ao mais tenro dos Pais, cheia de abandono e de confiança.
O que poderia eu fazer, Santíssimo Padre, para Vos testemunhar o meu amor filial?
Eu não posso senão continuar o que fiz até o presente, isto é, sofrer e rezar.
Há já alguns anos que eu me constituí, apesar de indigna, pequeno zuavo [tropa de elite do exército pontifício] de Vossa Santidade; minhas armas são a oração e o sacrifício, que conservarei até o meu último suspiro.
Somente então cairá a arma do sacrifício, mas a da oração me acompanhará até o Céu, onde será bem mais poderosa do que nesta terra de exílio.

Eu rezo todos os dias ao Sagrado Coração de Jesus e ao Coração Imaculado de Maria para que Vos conservem ainda por muito tempo entre nós, porquanto Vós Os fazeis conhecer e amar tão bem.
Eu tenho a doce confiança de que esses Corações Sagrados se dignarão de atender este desejo, que é o mais querido do meu coração.
Parece-me, quando rezo nas intenções de Vossa Santidade, que do Céu a Santíssima Virgem deve com frequência pousar seu olhar materno sobre Vós, Santíssimo Padre, porque Vós A proclamastes Imaculada.
Gosto de pensar que Vós sois particularmente amado por esta boa Mãe porque, quatro anos depois, Ela própria veio a esta terra para dizer: “Eu sou a Imaculada Conceição”.
Eu não sabia o que isso significava, eu nunca havia ouvido esta palavra.
Depois, refletindo, eu me disse com frequência: como é boa a Santíssima Virgem. Dir-se-ia que Ela veio confirmar a palavra do nosso Santo Padre.
É isso que me faz acreditar que Ela deve Vos proteger muito especialmente.
Espero que esta boa Mãe tenha piedade de seus filhos, e que Ela se dignará colocar ainda mais uma vez Seu pé sobre a cabeça da serpente maldita, e dar assim um termo às cruéis provações da Santa Igreja e às dores de seu augusto e Bem-Amado Pontífice.
Osculo humildemente os vossos pés e sou, com o mais profundo respeito, Santíssimo Padre, de Vossa Santidade a humílima e muito submissa filha.
Irmã Marie-Bernard Soubirous


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“A Esposa de Cristo não pode adulterar, é fiel e casta. Aquele que se separa dela saiba que se junta com uma adúltera, e que as promessas da Igreja já não o alcança. Aquele que abandona a Igreja não espere que Jesus Cristo o recompense, é um estranho, um proscrito, um inimigo. Não pode ter Deus por Pai no céu quem não tem a Igreja por mãe na terra.” 

(São Cipriano)

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